Acho uma das maiores auto-violações que podemos cometer é ter orgulho. Não daquele que sentimos quando fizemos algo que superou uma limitação pessoal e nos preencheu de satisfação, mas sim aquele que pode magoar aos outros ou tirar qualquer um do sério.
O orgulho é uma das maiores odiáveis maneiras de se sentir superior, muitas vezes sem reconhecer que isso é o mais puro reflexo da inferioridade. Ofendemos os que estão à nossa volta quando o temos. Acontece somente por capricho, não querer dar o braço a torcer, não mostrar vulnerabilidade, fraqueza ou até mesmo falsa humildade.
Seja ao pedir desculpas, ao ignorar a existência de alguém que tenhamos nos desentendido, até mesmo não aceitar aquele convite ou dinheiro emprestado, o orgulho é sempre mesquinho. Parece que vem muito da falta de consciência de que somos todos iguais: humanos que vão morrer e feder. Não reconhecemos o valor do próximo e o nosso próprio quando agimos guiados por esse sentimento desprezível.
Não estou levando a questão por ser alguém livre de orgulho, bem pelo contrário, aprendi muito com isso e continuarei a aprender. Mas escrevo para resgatar esse combate contra isso, que querendo ou não, bate à porta de todos nós diariamente.
Nos casais gays se torna ridiculamente intrigante e risível. Quem vai pagar a conta? Quem vai dar o braço a torcer? Quem vai ser o mais «homem»? Já é necessário ser muito macho para ser gay e ainda vamos nos apegar a estes detalhes? Sejamos mais conscientes, menos cabeças duras. Todos temos que ceder, ou ao menos deveríamos.


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