Seu nome de batismo era Jorge Luiz Souza Lima, conhecido pelo nome artístico Jorge Lafond, nasceu em Nilópolis, Rio de Janeiro, foi um ator, comediante, dançarino e drag queen.
Sobre a infância, aos 6 anos de idade, Lafond já tinha a consciência de que era homossexual. Em uma entrevista à revista Raça, disse: "As pessoas falavam que ser gay era uma coisa muito feia, e eu ficava com a cabeça tontinha. Mas o medo de meus pais descobrirem era tão grande que eu procurava andar na linha e estudar bastante".
Aos 10 anos de idade, já trabalhava das 9 às 17 horas numa oficina mecâncica. E, aos fins de semana, ía com a mãe trabalhar em um parque de diversões.
Sobre a dança, estudou balé clássico e dança africana, chegou a trabalhar com a Mercedes Batista. Formou-se em teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
A trabalhar em muitos cabarés do Rio de Janeiro, desde a Praça Mauá até Copacabana, abria shows da meia-noite na boate Flórida, boate Escandinávia, boate Barbarela e terminava a noite na boate Kiss, em Irajá, às 5 da manhã.
Sobre a profissão, começou sua carreira como bailarino no exterior com 17 anos, a viajar por toda a Europa e Estados Unidos com Haroldo Costa, que tinha um grupo folclórico, no qual Jorge Lafond permaneceu por 10 anos.
Fez vários sucessos como no Fantástico em 1974, programa humorístico Viva o Gordo, participou do especial infantil Plunct, Plact, Zuuum. Entrou numa novela Sassaricando interpretando Bob Bacall na Rede Globo, posteriormente foi convidado por Renato Aragão para participar de Os Trapalhões, interpretando o soldado Divino, primo do Mussum, no quartel comandado por Sargento Pincel. Mas sua carreira foi consolidada como "Vera Verão" do humorístico A Praça é Nossa, do SBT, onde permaneceu por 10 anos. Participou também em filmes e novelas.
Além disso, Lafond saía como destaque em carros alegóricos de escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo. Na maioria das vezes, desfilava seminu. Fez sua estréia totalmente nu, em cima de um carro alegórico da Escola de Samba G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense. Trabalhou também no programa Domingo Legal onde fez sucesso com suas entrevistas cómicas no Piscinão de Ramos.
Em 2001, foi convidado a participar da campanha de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis pelo Ministério da Saúde, mesmo causando desagrado a militantes do Grupo Gay da bahia, e do Grupo de Gays Negros da Bahia, pois viam a personagem Vera Verão estaria a emprestar sua imagem de um esteriótipo do gay que seria pejorativo.
O ator sempre se emvolveu em polémicas com relação a sua sexualidade. Durante o lançamento da sua autobiografia Vera Verão: Bofes & Babados em 1999, ameaçou dizer os nomes de personalidades (inclusive de um famoso jogador de futebol) com quem já teria mantida relações.
em 2002, Lafond foi convidado para participar de um quadro "Homens Vs. Mulheres" no programa Domingo Legal, no SBT, caracterizado de Vera Verão, Lafond integrava o lado feminino da disputa, mas foi retirado do palco em dado momento, supostamente a pedido do padre Marcelo Rossi, que se apresentou no programa dali a alguns minutos. Após a apresentação a produção solicitou insistentemente que Lafond retornasse, pois o padre já havia saído. Porém, ele não voltou. Numa entrevista, o padre Marcelo Rossi negou o episódio e afirmou que nunca discriminou Jorge Lafond.
No mesmo ano, uma semana depois do incidente , Lafond foi internado em estado grava, com problemas cardíacos. Num primeiro momento, os médicos diagnosticaram uma crise hipertensiva. Nas semanas seguintes após o incidente diversas foram suas internações no hospital, sendo a última em 28 de Dezembro de 2002, quando seu problema de saúde agravou com uma crise renal, levando-o à morte.
Hipertenso e já com problemas cardíacos, Lafond, aos 50 anos, em 28 de dezembro de 2002, foi vítima de parada cardiorrespiratória e acabou internado no hospital Sepaco na cidade de São Paulop.
Sofreu complicações renais e chegou a fazer diálise. Seu fim deu-se com um fulminante infarto e posterior falência de múltiplos órgãos no dia 11 de Janeiro de 2003.
Seu corpo foi trasladado ao Rio de Janeiro para ser sepultado no cemitério do Irajá, acompanhado por cerca de 5 mil pessoas. A Polícia Militar teve de pedir reforços para conter os ânimos dos fãs que exibiam faixas e cartazes em homenagem ao ator, além de aplausos.
Este foi então o grande Jorge Lafond, côndinome Vera Verão. Já deixa muitas saudades pela sua irreverência no humor da televisão brasileira completando 17 anos desde a sua morte.
"Por ser o mês do Orgulho Gay, fiz questão de escrever esta matéria sobre quem foi Jorge Lafond, pois até hoje continua e sempre será eternamente o ícone gay que jamais será esquecido.
Vejam apenas um dos vídeos de Lafond na sua interpretação de Vera Verão.
Depoimento de uma fã que não tinha conhecimento sobre Jorge Lafond:
"Antes da Pabllo, antes da Glória Grove, antes de Rupaul pensar em Rupaul Drag Race, a única referência gay de grande prestígio na mídia brasileira, era Jorge Lafond. Bixa preta, frequentador de terreiro, atoe, dançarino, excelente coreógrafo, humorista e drag queen.
Qualquer criança gay, trans, afeminada, ficava deslumbrado com o talento dessa bixa afeminada. Eu lembro de assistir e pensar: "quero ser a Vera Verão". Jorge morreu jovem, mas nunca poderá ser esquecido pela comunidade LGBTQIA+. Ele como qualquer bixa preta afeminada, sofreu racismo e homofobia mesmo no auge na sua carreira, sendo o último episódio, um dos gatilhos para a sua morte.
Jorge Lafond sempre será lembrado por toda a sua contribuição à comunidade LGBTQIA+, pelo seu humor singular, por ser gay, afeminado e inimitável.
Eu não tinha idade para isso, mas hoje eu posso dizer com olhos marejados, com muito respeito e com muito orgulho: OBRIGADO JORGE LAFOND"


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